Você acabou de ver um CEO anunciar que substituiu 22% da equipe por agentes de IA. Depois leu que a produtividade não cresceu como esperado. Tem algo errado. Esse fenômeno tem nome: psicose de IA em CEOs. Aaron Levie, fundador do Box, cunhou o termo e deu um alerta direto.
O Fato: CEOs Distantes do Último Metro
Em maio de 2026, Levie publicou no X: CEOs são especialmente propensos à psicose de IA porque estão distantes do último metro de trabalho que ainda precisa ser feito para gerar valor real. Eles brincam com a IA, geram um protótipo ou um contrato, e concluem que agentes podem fazer o trabalho. Mas não são eles que revisam código, encontram bugs ou identificam chamadas a bibliotecas alucinadas antes do deploy. A teoria é simples: falta vivência prática.
Como Funciona na Visão do Operador
O CEO vê o caminho feliz. Um prompt bem sucedido, uma demonstração de agente autônomo. Mas os próximos 10 ou 20 passos necessários para garantir que a IA entregue algo confiável simplesmente não aparecem no radar. A distância entre decisão e execução cria um viés de otimismo. Na prática, isso significa que decisões de demissão massiva são tomadas baseadas em uma amostra muito limitada. O custo real não está no prompt, mas na validação, no tratamento de exceções, na integração com sistemas legados. O CEO não enxerga esse custo.
O Que Isso Muda na Prática
Nos primeiros cinco meses de 2026, 115.430 pessoas foram demitidas de empresas de tecnologia, quase o total de 2025. ClickUp demitiu 22% da equipe, substituindo por 3.000 agentes de IA. O CEO disse que não era para reduzir custos, mas para criar uma organização 100x. Quem ganha? Fornecedores de IA e os próprios agentes. Quem perde? Funcionários reais, mas também a qualidade do trabalho. Pesquisas mostram que a produtividade agregada não aumentou. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts concluiu que agentes ainda não fazem trabalho de qualidade humana em muitos casos. A ação prática: antes de cortar headcount, peça ao time de engenharia para medir a taxa de sucesso real dos agentes em tarefas específicas. Se for menor que 80%, como prevê o estudo, o custo de revisão pode superar a economia.
A Tensão: Isso Escala Sem Caos?
Se todos usarem IA para produzir mais, o gargalo sobe para os executivos, que precisam autorizar tudo. A Harvard Business Review já mostrou isso. E se ninguém controla o volume, o resultado é caos organizacional. A pergunta que ninguém responde: os CEOs estão preparados para uma avalanche de trabalho gerado por agentes? Se não, a psicose de IA só troca um problema por outro.
O fechamento é direto: não confie no hype sem medir o último metro. Teste a IA pesadamente, como sugere Levie, e entenda tanto o potencial quanto o trabalho real. Senão, a próxima rodada de demissões não será culpa da IA, mas da ilusão de quem decidiu sem dados suficientes.
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