Waymo Usa Dados de Câmeras Internas para Treinar IA Generativa: Privacidade em Questão
A Waymo, empresa de veículos autônomos da Alphabet, está preparando o uso de dados de seus robotaxis, incluindo vídeos de câmeras internas associados à identidade dos passageiros, para treinar modelos de inteligência artificial generativa. Esta informação foi descoberta por uma versão não lançada da política de privacidade da empresa, revelada pela pesquisadora Jane Manchun Wong.
O documento vazado sugere que a Waymo também pode compartilhar esses dados para personalizar anúncios, levantando novas questões sobre até que ponto o comportamento dos passageiros dentro dos veículos autônomos pode ser utilizado para treinamento de IA e marketing. A política de privacidade afirma que a Waymo pode compartilhar dados para melhorar e analisar sua funcionalidade e personalizar produtos, serviços, anúncios e ofertas de acordo com os interesses dos usuários. Os passageiros têm a opção de optar por não compartilhar suas informações com terceiros, exceto quando necessário para o funcionamento do serviço.
De acordo com as leis de privacidade da Califórnia, os passageiros podem optar por não permitir que a Waymo ou suas afiliadas usem suas informações pessoais, incluindo dados de câmeras internas associados à sua identidade, para treinamento de IA generativa. No entanto, não está claro quais dados internos podem ser usados para treinar esses modelos, nem quais seriam os casos de uso pretendidos. Também não é óbvio que tipo de dados as câmeras internas capturam – expressões faciais? Linguagem corporal? – ou se a Waymo está usando esses dados para treinar modelos internos ou se está compartilhando esses dados com outras empresas do Alphabet que trabalham com IA, como Google ou DeepMind.
A Waymo é, até o momento, a única empresa de veículos autônomos que gera receita com corridas de robotaxis nos Estados Unidos. Até fevereiro, a empresa registrava mais de 200.000 corridas pagas de robotaxis por semana através de seus serviços comerciais em Los Angeles, San Francisco, Phoenix e Austin. Isso representa um aumento significativo em relação às 10.000 corridas por semana de dois anos atrás e sinaliza um crescimento contínuo à medida que a Waymo se expande para novos mercados. A empresa planeja lançar serviços comerciais em Atlanta, Miami e Washington D.C. nos próximos dois anos.
Apesar desses avanços, a Waymo ainda é provavelmente uma fonte de prejuízo para a Alphabet, o que pode explicar por que a empresa está explorando outras fontes de receita, como publicidade dentro dos veículos e compartilhamento de dados para modelos de IA generativa. No ano passado, a Alphabet investiu mais US$ 5 bilhões na Waymo, e a empresa levantou um adicional de US$ 5,6 bilhões de investidores externos, elevando sua avaliação para mais de US$ 45 bilhões.
A Waymo continua a investir pesadamente em P&D e a incorrer nos custos de expansão, incluindo o crescimento de sua frota, compra de equipamentos especializados, manutenção de veículos e infraestrutura de carregamento. Não está claro quanto tempo levará para a Waymo alcançar o ponto de equilíbrio, muito menos a lucratividade. A Alphabet não divulga os resultados financeiros da Waymo em seu relatório de ganhos. Em vez disso, a Waymo é incluída na seção "outras apostas" do balanço da Alphabet, que em 2024 registrou um prejuízo operacional de US$ 1,2 bilhões.