Startup de IA Artisan Levanta US$ 25 Milhões Após Ano Conturbado e Campanha Polêmica

Startup de IA Artisan Levanta US$ 25 Milhões Após Ano Conturbado e Campanha Polêmica

A Artisan, startup de inteligência artificial focada em agentes de vendas, acaba de garantir um aporte de US$ 25 milhões em uma rodada de financiamento Série A. Liderada pela Glade Brook Capital, a rodada marca um ponto alto em um ano desafiador, mas promissor, para a jovem empresa e seu fundador e CEO de 24 anos, Jaspar Carmichael-Jack.

Fundada por Carmichael-Jack e Sam Stallings, de 30 anos, ex-gerente de produto da IBM, a Artisan emergiu como um dos destaques da turma de inverno de 2024 da aceleradora Y Combinator, levantando US$ 12 milhões em setembro passado, uma das maiores rodadas daquele grupo. Desde então, a startup navegou pelas águas turbulentas típicas de empresas em estágio inicial, especialmente no competitivo mercado de representantes de desenvolvimento de vendas por IA (AI SDR).

A Artisan ganhou notoriedade não apenas pela tecnologia, mas também por sua ousada e controversa campanha de marketing com o slogan "Stop Hiring Humans" (Pare de Contratar Humanos). Outdoors com a frase geraram ampla discussão em notícias e redes sociais, resultando, segundo a empresa, até mesmo em ameaças.

Em uma manobra de marketing ainda mais audaciosa, Carmichael-Jack chegou a anunciar sua "renúncia" em 1º de abril, afirmando que seria substituído por um "CEO de IA". A brincadeira de Dia da Mentira foi posteriormente esclarecida, e ele permanece no comando.

Apesar da campanha provocativa, o CEO esclarece sua visão: "Não [acredito que a IA substituirá as pessoas], o que é irônico", disse ele à TechCrunch. "O trabalho humano se torna mais valioso quando você tem o conteúdo de IA." Prova disso é que a Artisan emprega 35 funcionários humanos e planeja contratar mais 22, inclusive na área de vendas. Recentemente, a empresa também contratou Ming Li (ex-Deel, Rippling, TikTok e Google) como novo CTO.

Superando Desafios e Evoluindo o Produto

Carmichael-Jack admite que a Artisan enfrentou desafios significativos, incluindo a perda de clientes (churn) nos estágios iniciais. O mercado de AI SDR, embora promissor para automatizar tarefas como o envio de e-mails frios, ainda é jovem e luta contra a reputação de produtos nem sempre eficazes.

"As primeiras gerações de AI SDRs tinham taxas de resposta muito baixas" e "churn relativamente alto", reconhece o CEO, mencionando que as versões iniciais do produto da Artisan sofriam com "alucinações extremamente ruins".

No entanto, ao longo do último ano, a empresa afirma ter aprimorado significativamente seu principal produto, Ava. Trabalhando em estreita colaboração com a Anthropic, fornecedora de modelos de IA, a Artisan desenvolveu prompts mais rígidos que, segundo Carmichael-Jack, reduziram as alucinações para talvez uma a cada 10.000 e-mails. Essa evolução permitiu à Artisan alcançar 250 empresas clientes e atingir US$ 5 milhões em receita anual recorrente (ARR).

Novos Produtos e Estratégias de Precificação

Olhando para o futuro, a Artisan está desenvolvendo dois novos produtos de agentes de IA: Aaron, para lidar com mensagens de entrada, e Aria, um assistente de gerenciamento de reuniões, ambos previstos para lançamento até o final de 2025.

A startup também aprendeu lições importantes sobre a adequação de clientes. Carmichael-Jack revelou que a Artisan se tornou mais seletiva, recusando clientes de setores onde a abordagem de vendas outbound por IA não funciona bem. "Aprendemos da maneira mais difícil que não é como um produto SaaS típico que você pode vender para todos – você precisa realmente qualificar bastante", afirma.

Para combater a reputação instável do setor e alinhar o preço ao valor entregue, a Artisan está pilotando um novo modelo de "preço baseado no sucesso" em parceria com a Paid.ai, plataforma fundada por Manny Medina (co-fundador da Outreach). Isso permite que os clientes paguem por resposta, em vez de assinarem contratos de longo prazo. "Só devemos realmente vender para as pessoas se elas obtiverem valor do produto", conclui Carmichael-Jack. "Se não lhes dermos valor, não deveríamos cobrar dinheiro delas."

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