Uma notícia preocupante abalou a comunidade de inteligência artificial nesta semana: Kai Chen, um pesquisador canadense de IA que trabalha na OpenAI e reside nos Estados Unidos há 12 anos, teve seu pedido de green card (residência permanente) negado. A informação foi divulgada por Noam Brown, um colega e cientista de pesquisa líder na empresa.
Em uma postagem na rede social X, Brown revelou que Chen foi informado da decisão na sexta-feira e agora enfrenta a perspectiva de ter que deixar o país em breve. "É profundamente preocupante que um dos melhores pesquisadores de IA com quem trabalhei [...] teve seu green card negado nos EUA", escreveu Brown. "Um canadense que viveu e contribuiu aqui por 12 anos agora tem que sair. Estamos arriscando a liderança da América em IA quando afastamos talentos como este."
A importância de Chen para a OpenAI foi reforçada por outro funcionário, Dylan Hunn, que descreveu o pesquisador como "crucial" para o desenvolvimento do GPT-4.5, um dos modelos de IA mais avançados da empresa, conforme mencionado anteriormente em reportagens (como as do IAFeed).
Embora os motivos específicos para a negação do green card de Chen não tenham sido divulgados – e existam diversas razões possíveis para tais decisões – o caso levanta sérias questões sobre as políticas de imigração dos EUA e seu impacto na retenção de talentos de alta tecnologia.
Felizmente, a decisão não custará o emprego de Chen. Noam Brown esclareceu em outra postagem que o pesquisador planeja trabalhar remotamente de um Airbnb em Vancouver, Canadá, "até que [a] confusão seja resolvida". No entanto, o incidente é visto como mais um exemplo das barreiras crescentes que talentos estrangeiros enfrentam para viver, trabalhar e estudar nos EUA.
A OpenAI, que depende fortemente de talentos internacionais, não comentou o caso imediatamente. Contudo, o CEO da empresa, Sam Altman, já havia se manifestado publicamente em julho passado, pedindo reformas para facilitar a vinda e permanência de imigrantes altamente qualificados para os EUA, afirmando que abraçar esses talentos é "a chave para manter" a vantagem do país.
Este caso ocorre em um contexto mais amplo de maior escrutínio sobre vistos e imigração. Nos últimos meses, milhares de estudantes internacionais tiveram seus vistos questionados, e a administração atual tem adotado uma postura mais rígida em relação a pedidos de green card e portadores de visto percebidos como ameaças à segurança nacional.
Laboratórios de IA como a OpenAI dependem significativamente de pesquisadores estrangeiros. A empresa solicitou mais de 80 vistos H1-B (um visto comum para trabalhadores qualificados na área de tecnologia) apenas no ano passado e patrocinou mais de 100 vistos desde 2022. Recentemente, houve um aumento nas "solicitações de evidência" para esses vistos, gerando preocupações sobre um possível aumento nas recusas.
A contribuição de imigrantes para o setor de IA nos EUA é inegável. Estudos indicam que uma grande porcentagem dos fundadores das startups de IA mais promissoras são imigrantes, e a maioria dos estudantes de pós-graduação em áreas relacionadas à IA são internacionais. Nomes como Ashish Vaswani, co-criador da arquitetura transformer (base do ChatGPT), e Wojciech Zaremba, co-fundador da OpenAI, são exemplos de talentos estrangeiros que impulsionaram a inovação nos EUA.
A situação de Kai Chen serve como um alerta sobre como as políticas de imigração podem impactar diretamente a liderança tecnológica de um país, com muitos pesquisadores já considerando buscar oportunidades em outros lugares devido a políticas restritivas e cortes de financiamento.