A OpenAI, conhecida por seus avanços em inteligência artificial, sinalizou no final de março a intenção de lançar seu primeiro modelo de linguagem "aberto" desde o GPT-2 ainda este ano, gerando grande expectativa na comunidade de desenvolvedores.
Novos detalhes sobre este aguardado modelo começam a surgir. Fontes indicaram ao IAFeed que Aidan Clark, Vice-Presidente de Pesquisa da OpenAI, está liderando o desenvolvimento. Embora ainda em fases iniciais, a empresa mira um lançamento para o início do verão (no hemisfério norte).
O objetivo é ambicioso: criar um modelo de raciocínio, similar à série "o" da própria OpenAI, que se torne referência em benchmarks entre outros modelos de raciocínio abertos disponíveis no mercado.
Um dos pontos mais relevantes é a estratégia de licenciamento. A OpenAI está explorando uma licença altamente permissiva, com poucas restrições de uso ou comerciais. Esta abordagem parece visar evitar as críticas frequentemente direcionadas a licenças de modelos abertos populares, como o Llama da Meta e o Gemma do Google, que por vezes impõem requisitos considerados onerosos por parte da comunidade.
Esta movimentação da OpenAI ocorre em um cenário de pressão crescente de concorrentes que adotaram estratégias abertas com sucesso. A Meta, por exemplo, viu seu modelo Llama alcançar mais de 1 bilhão de downloads, enquanto o laboratório chinês DeepSeek rapidamente conquistou uma base global de usuários e atraiu investidores.
Tecnicamente, o modelo será do tipo "texto entra, texto sai" e, segundo fontes, poderá ser executado em hardware de consumidor de ponta. Uma funcionalidade interessante em desenvolvimento é a possibilidade de os desenvolvedores ativarem ou desativarem a capacidade de "raciocínio" do modelo. Isso permitiria um equilíbrio entre maior precisão (com raciocínio ativado, mas maior latência) e maior velocidade (com raciocínio desativado), similar a abordagens vistas em modelos recentes da Anthropic. Caso o lançamento seja bem-sucedido, a OpenAI pode lançar modelos adicionais, potencialmente menores.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, já expressou publicamente que acredita que a empresa esteve "do lado errado da história" em relação ao código aberto, indicando uma possível mudança estratégica. "Precisamos descobrir uma estratégia diferente de código aberto", afirmou Altman em janeiro, embora ressalvando que essa não era a maior prioridade imediata e que a vantagem da OpenAI sobre os concorrentes poderia diminuir.
A segurança é um foco declarado para este novo modelo. Altman garantiu que ele será rigorosamente avaliado através do "framework de preparação" da empresa e passará por testes intensivos de "red-teaming". Dada a natureza aberta, que permite modificações pós-lançamento, haverá trabalho extra na avaliação de segurança. A OpenAI planeja divulgar um "model card" – um relatório técnico detalhado com resultados de benchmarks internos e externos e testes de segurança.
Este foco em segurança e transparência é notável, especialmente considerando críticas anteriores direcionadas à OpenAI sobre a suposta pressa em testes de segurança de modelos recentes e a falta de relatórios técnicos detalhados para outros lançamentos.