A empresa de inteligência artificial Anthropic anunciou o lançamento de seu novo programa "IA para a Ciência", uma iniciativa destinada a apoiar pesquisadores que trabalham em projetos científicos de alto impacto, com um foco especial nas áreas de biologia e ciências da vida.
O programa, divulgado nesta segunda-feira, oferecerá até US$ 20.000 em créditos de API da Anthropic durante um período de seis meses. Estes créditos serão concedidos a pesquisadores qualificados, selecionados com base em suas "contribuições para a ciência, o potencial impacto de sua pesquisa proposta e a capacidade da IA de acelerar significativamente seu trabalho". Os beneficiados terão acesso ao conjunto padrão de modelos de IA da Anthropic, incluindo toda a família de modelos Claude disponíveis publicamente.
Em uma postagem de blog, a Anthropic destacou o potencial da IA na pesquisa:
"Capacidades avançadas de raciocínio e linguagem de IA podem ajudar os pesquisadores a analisar dados científicos complexos, gerar hipóteses, projetar experimentos e comunicar descobertas de forma mais eficaz. Estamos particularmente interessados em apoiar aplicações onde a IA pode auxiliar na aceleração de processos relacionados à compreensão de sistemas biológicos complexos, análise de dados genéticos, aceleração da descoberta de medicamentos, especialmente para algumas das maiores cargas globais de doenças, aumento da produtividade agrícola e muito mais."
A Anthropic junta-se a outras empresas de tecnologia, como Google e OpenAI, que também apostam no potencial da IA para revolucionar a ciência. Essas empresas argumentam que ferramentas de IA podem acelerar massivamente as descobertas científicas, particularmente na medicina.
No entanto, existe um ceticismo considerável na comunidade científica. Muitos pesquisadores ainda não consideram a IA atual particularmente útil para guiar o processo científico, principalmente devido à sua falta de confiabilidade e tendência a "alucinações" (gerar informações incorretas). Um dos desafios é desenvolver uma IA capaz de lidar com fatores imprevistos e realizar o tipo de pensamento inovador necessário para avanços genuínos.
Resultados anteriores de sistemas de IA projetados para a ciência têm sido, por vezes, decepcionantes. Por exemplo, em 2023, o Google anunciou que cerca de 40 novos materiais foram sintetizados com a ajuda de sua IA, GNoME, mas uma análise externa posterior concluiu que nenhum desses materiais era, de fato, inédito.
A Anthropic espera, sem dúvida, que seu esforço obtenha resultados mais promissores.
Os pesquisadores interessados podem se inscrever através de um formulário no site da empresa. As seleções serão feitas na primeira segunda-feira de cada mês, com base no mérito científico, impacto potencial, viabilidade técnica e critérios de triagem de biossegurança para garantir que a pesquisa proposta não possa ser usada para fins prejudiciais. As candidaturas serão revisadas pela Anthropic, incluindo especialistas nos campos relevantes.